Bruna Linzmeyer está surpreendente na pele de Linda, na novela “Amor À
Vida”. Em sua quarta novela, a atriz encara o desafio de viver uma
personagem com autismo e grandes dificuldades de socialização. Antes
mesmo de começar a gravar, Bruna revela que já estava emocionada com a
personagem: “estou muito sensível ao tema. Está sendo muito
emocionante”.
Em entrevista à Guia da TV, Bruna fala sobre os desafios e aprendizados de interpretar alguém com autismo. Confira:
Como será a relação da sua personagem com a família?
“A família luta pela inclusão dela, pela melhora, para ajudá-la
a viver. A Linda tem uma conexão muito forte com a mãe, mas ela não tem
uma relação muito boa com a irmã. Existe uma tensão entre elas, um
ciúme, uma dificuldade de entendimento.”
Antes da trama, você conhecia alguém com autismo?
“Antes da Linda, eu não conhecia ninguém com autismo. Só depois
do personagem. E eu percebi que a partir das dificuldades, das
conquistas, ninguém é tão diferente assim. Todos nós temos medos,
desafios, limitações. Ninguém é tão diferente assim.”
Qual é o maior desafio para fazer a Linda?
“Ela por si só já é um desafio. Tudo o que vem dentro dela é um
desafio: físico, emocional, psicológico, histórico, cultural. E o
momento do nosso país também é um desafio, como as diferenças e as
deficiências são tratadas aqui. Então, o desafio é desde que o jeito que
ela olha até as questões filosóficas.”
Como foi o convite?
“Aconteceu há nove meses, durante um jantar com o Walcyr e o Maurinho.
Eles me convidaram, disseram que era uma menina autista. Fiquei muito
emocionada, não conseguia dizer nada na hora. Achei muito forte. E
depois da Linda, não sou mais a mesma pessoa. Eu abri meu coração, minha
alma, meus olhos, para olhar para as coisas com um pouco do olhar que
eles têm.”
Você fez alguma mudança física para a personagem?
“Me libertei da maquiagem.”
Existem vários graus de autismo. Qual é o grau dela?
“Ela tem síndrome de Asperger, que é o grau mais leve de autismo. Mas
ela não foi muito trabalhada nos vinte anos. Então, ela tem muitas
limitações, que vão ser trabalhadas durante a novela.”
Quais limitações?
“A maior limitação é a dificuldade é de socialização.”
Onde você buscou referências para a personagem?
“Esse trabalho começou há nove meses. Então, visitei instituições, li
livros, assisti filmes, pesquisei algumas entrevistas, algumas
palestras. E depois desse processo de pesquisa, passei pelo Sérgio Pena,
que é nosso preparador de elenco. É um tema delicado, então, eu e os
autores estamos juntos nessa.”
Qual foi sua inspiração para a personagem?
“Então, uma das maiores inspirações é uma canadense, tem um
grau alto de autismo e não fala. Mas, aos 10 anos, começou a se
comunicar através do computador. E ela é extremamente consciente da
condição dela. Muito inteligente, sarcástica, irônica e também muito
profunda ao falar sobre a condição dela.”